sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Curso: Perícias Judiciais em Psicologia Forense nos dias 12 e 13 de Março de 2016.

Ofereço o curso de Perícias nos dias 12 e 13 de Março de 2016. Mais informações no e-mail mfafs@uol.com.br

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Filicídio de Sophia

Texto em minha coluna semanal de 29/12/2015 No dia 2 de dezembro a pequena Sophia foi brutalmente morta por seu próprio pai. Este tipo de crime se denomina filicídio. Os motivos que levaram Ricardo Najjar a executar a criança podem ter sido vários, inclusive, sua decisão em não querer mais pagar pensão alimentícia para a filha. É difícil acreditar que uma pessoa tenha a coragem de praticar um homicídio desta natureza, apenas para se livrar de pagamentos mensais a que é obrigado. Mas alguém que não demonstra afetividade e vínculos pode apresentar uma conduta monstruosa como esta. De acordo com depoimentos da mãe da criança, Lígia Kissajian, dados para a imprensa, este sujeito, mesmo no velório da filha, não se mostrou emocionado com a perda, que no caso, não era mesmo uma perda para ele, mas sim uma economia financeira. Qualquer outro motivo, que pudesse ter sido desencadeado por Sophia, em termos de provocar a agressividade exacerbada do assassino, não seria suficiente para que tamanha violência acontecesse. O que pode fazer uma criança de quatro anos de tão grave? A resposta mais razoável é “nada”. Portanto, acredito que livrar-se da obrigação de “alimentos” é a principal hipótese para esta morte. Esse ignóbil homicida apresenta características típicas de um psicopata, como frieza afetiva, raiva como principal sentimento, manipulação e sadismo, dentre outras. Houve completa intenção em matar e, até mesmo, pode ter ocorrido premeditação do crime. A prisão, com psicoterapia sistemática, é uma condição para que indivíduos como este, saiam com alguma sensibilidade depois de décadas encarcerado.

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Superlotação carcerária

Texto em minha coluna semanal - 15/12/2015. A superlotação carcerária é um problema comum na maior parte dos presídios brasileiros. Com ela, pouco se consegue realizar em prol de uma execução da pena com alguma dignidade. Mas mesmo este pouco, muitas vezes, é desestimulado pelo próprio Estado, instância esta que é responsável por custodiar os prisioneiros. Existe uma tentativa, já há muitos anos no Estado de São Paulo, em privatizar as unidades penais. Vejo isto como algo perigoso e pouco eficaz. Perigoso por colocar na iniciativa privada responsabilidades que são públicas. Vários serviços, hoje precários nas prisões, certamente sequer serão oferecidos. Quem pretende administrar prisões é certamente para ter lucros e não tem como objetivo fundamental a reeducação dos apenados. A parca eficiência estará intimamente relacionada com esta questão do lucro, senão mesmo, uma consequência factual deste. Acredito, já de longa data, que a construção de prisões para abrigar os sentenciados ou os presos provisórios, será uma falácia ou o mesmo que tentarmos secar o gelo. Muito mais racional e efetivo, seria a conversão de muitas penas em medidas alternativas associadas à reparação do dano causado pela conduta criminal. Haveria a punição e também uma consequência monetária para o crime. A vítima, ou os seus familiares, receberiam a indenização. Veja-se que uma pessoa roubada poderia ter de volta boa parte do prejuízo que sofreu. Nos casos de crimes contra a vida, contra a liberdade sexual e outros inseridos na categoria de crimes violentos, o autor pagaria financeiramente para a vítima, quando possível, ou para seus familiares, se fosse o caso. Teríamos desta forma, com somente sujeitos violentos confinados, uma população carcerária bastante reduzida e muitos programas de reinserção social poderiam ser desenvolvidos. Também entrariam nesta condição de aprisionamento, os autores de crimes contra o erário público. Muitas famílias que atualmente têm membros encarcerados, e sofrem com o significado desta condição humana, poderiam viver de modo mais digno e produtivo. As vítimas e seus familiares também poderiam sentir que algo concreto pode ser feito, para diminuir os problemas que uma ação delitual provoca. A sociedade, os criminosos e as vítimas, de alguma forma, poderiam ter um pouco mais de harmonia. Afinal, todo prisioneiro um dia sairá, e se ele sair com uma condição pessoal pior do que aquela que possuía quando entrou, todos nós pagaremos por isto. http://correio.rac.com.br/_conteudo/2015/12/colunistas/maria_de_fatima/404151-superlotacao-carceraria.html

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Rio que era doce

Texto em minha coluna semanal em 01 de dezembro de 2015. O rompimento das barreiras de mineradoras em Mariana mostra o descaso com a vida e com o meio ambiente. Dificilmente o que ocorreu foi surpresa para os responsáveis ou proprietários das empresas envolvidas, certamente, havia rachaduras ou outras deteriorações na estrutura das barragens. Esses afortunados que adquiriram as mineradoras, na época das privatizações desenfreadas, certamente tornaram-se multimilionários preocupados apenas com a riqueza que espoliaram do solo da bela, rica e charmosa Minas Gerais. A degradação ambiental que o desenfreado egoísmo desses exploradores provocou é facilmente visível. Quando percorri a Estrada Real, há quase três anos, fiquei chocada com a devastação existente e um nó na garganta me impelia a antever que algo ali estava errado. A população do Estado em sua maioria, ao contrário desses ricaços proprietários das mineradoras, passa por dificuldades financeiras. A riqueza do Estado ficou nas mãos desses empresários, que nada se importam em destruir, o que a natureza presenteou aos queridos mineiros. Para mim, é inadmissível que os proprietários das empresas responsáveis por tamanha aniquilação ao belo rio que era doce, bem como, às mortes provocadas – tanto de pessoas quanto de outras espécies de vida – ainda estejam livres e pouco se importando com o crime cometido. Nosso país deveria se envergonhar de conviver com exploração como essa, que leva riqueza para poucos, porém morte e miséria para tantos. Se os governantes são permissivos diante de mortes anunciadas como essas, visto que era iminente um acidente acontecer, o Poder Judiciário e o povo, não deveriam aquietar-se, ao contrário, exigirem que multas e indenizações milionárias ocorressem. Elas serviriam de exemplo para que descasos como estes fossem minimizados.

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Terrorismo

Terrorismo - texto em minha coluna semanal de 17/11/2015 Os ataques impetrados por terroristas em Paris na sexta feira foram mais uma demonstração de crueldade, fanatismo e irreverência. Um indivíduo que consegue dizimar dezenas de inocentes, como se fossem insetos atrapalhando o seu caminho, certamente tem a truculência como tática de conquista. Esse desrespeito com o sofrimento dos outros, aliado a um alto grau de sadismo, culminam na carnificina observada na Cidade Luz. O extremismo, dito vergonhosamente como religioso, motiva mentes psicopatas a destruírem vidas, que certamente, eram muito mais valiosas do que a deles. A insolência, demonstrada através da covardia diante do suicídio ou da fuga, também compõe a diabólica forma de ser destes terroristas. O mundo se torna pior diante de ocorrências como esta. A paranoia, provocada por estes satânicos sujeitos do Estado Islâmico, não será efêmera e vai incomodar populações de vários países. Aquele velho ditado popular de que o “mal deve ser cortado pela raiz” se tivesse sido levado a sério, centenas de vidas teriam sido poupadas. Atualmente, é muito mais difícil controlar e extirpar estes mefistofélicos da face da terra, do que seria quando eles começaram a apavorar o mundo com suas execuções covardes e primitivas. Os países belicamente desenvolvidos, unidos, serão os únicos capazes de conter estes elementos que agem em nome de um Deus que só para eles existe. Deus está ligado ao amor e não ao ódio. http://correio.rac.com.br/_conteudo/2015/11/colunistas/maria_de_fatima/400094-terrorismo.html

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Luto e superação

Luto e Superação - 03/11/2015 Texto em minha coluna semana no Jornal Correio Popular Toda perda importante gera luto. Quando isso deixa de acontecer é sinal de que, o que se perdeu, não era valoroso. É normal que a dor, muitas vezes dilacerante, perdure por algumas semanas. Ao perdermos um ente querido, levado para outra existência, que acreditamos ocorrer com a morte, temos lembranças avassaladoras da dor e do sofrimento passados por ele, sendo esses dominadores de nossos pensamentos inicialmente. É como se aquela pessoa amada existisse a partir da doença ou acidente que culminou em sua morte. Tristeza e impotência diante da finitude que se aproximava, dominam as imagens que a nossa mente teima em produzir. Cada palavra, cada gesto – muitos imbuídos de agonia – voltam com a força provocada pela separação absoluta. A fé nestes momentos consola o desespero. O semblante de quem se foi visto por nós naquela última vez, torna-se poderoso e repleto de saudades. O choro muitas vezes nos leva a um recanto solitário, porquanto é melhor que ninguém nos veja chorando. Nem todos conseguem ter noção do que sentimentos quando a lembrança e pesar dominam. Assim passamos, sem querer, pelas perdas de pessoas amadas. Aceitar a morte é essencial para não vivermos basicamente de sofrimento e depressão. Só o tempo poderá nos ajudar a superar a dor que machuca nossa alma, quando o luto ainda domina a nossa vida. http://correio.rac.com.br/_conteudo/2015/11/colunistas/maria_de_fatima/398066-luto-e-superacao.html

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Solidão da morte

Texto em minha coluna semanal de 14/10/2015 A morte nos remete à solidão. Isto começa por deixarmos quem morreu sozinho, logo após o velório, em sua sepultura e, é claro, não poderia ser diferente. A imagem de um ente querido, após o sepultamento, nos vem com a impotência de nada podermos fazer diante do abandono que somos obrigados a lhe proporcionar. Neste momento, apenas a fé religiosa que nutrimos, pode acalentar um pouco do nosso desespero. O nascimento também não deixa de ser um ato solitário, em que até mesmo gêmeos terão vidas distintas, a partir do parto. Ao nascermos e morrermos temos a solidão como companheira. O sentimento que nutrimos com a perda de uma pessoa jamais será conhecido por outra, só a nós ele pertence. Cada um sentirá à sua maneira a separação absoluta provocada com a morte. Acreditar que um dia nos encontraremos com todos que amamos e já se foram, talvez seja a maior forma de conforto que possamos vislumbrar. Precisamos aceitar a morte, não há alternativa. Ela deixa a todos no mesmo patamar de finitude do ser. O poder, a riqueza, a beleza ou qualquer outro predicado que pode fazer com que alguém se sinta superior aos demais, são insignificantes após o último suspiro. Viver valorizando a fraternidade, o respeito aos outros, a honestidade e a humildade talvez sejam maneiras de continuarmos vivos, até que ninguém mais, se lembre de nós. http://correio.rac.com.br/_conteudo/2015/10/colunistas/maria_de_fatima/394911-solidao-da-morte.html?fb_action_ids=10200903887434898&fb_action_types=og.recommends