terça-feira, 29 de julho de 2014

Encarceramento reflete a desigualdade

Texto em minha coluna semanal publicado em 29 de julho de 2014 O Brasil é o terceiro país no número de encarcerados, abaixo da China e dos Estados Unidos. Isto pode refletir que nós, assim como estes países citados, temos uma grande população de criminosos. Em nosso país vão para a prisão os pobres que delinquem ou, em raríssimas exceções, indivíduos que tenham uma boa condição financeira. A prisão, que até o momento está em curso, dos políticos e empresários do chamado ‘mensalão do PT’ é algo historicamente incomum. Certamente a raiva do cidadão e a grande divulgação da mídia sobre todo o caso contribuiu para isto. Já outros ‘mensaleiros’ sequer serão julgados e devem rir de pertencerem a certos partidos políticos, que são descaradamente protegidos pela elite midiática. Grande parte da população brasileira é facilmente manipulada pela imprensa, que publica apenas o que lhe convém. Deste modo, nem todos os bandidos serão considerados como tal. De volta à questão do encarceramento, é fato que apenas os pobres são levados à prisão. Aqui no Brasil, não é o crime que é punido, mas sim o criminoso. Se o criminoso é rico, no máximo terá uma branda punição, agora, se é pobre, poderá sentir a vingança da sociedade refletida em sua severa condenação. Não se pode generalizar e acreditar que todos os pobres serão rigorosamente punidos, muitos, inclusive, também receberão uma leve condenação. Apesar de a lei ser objetiva, os motivos que levam à condenação passam pela subjetividade do julgador, portanto, esta peculiaridade existente me parece a razão de condenações tão divergentes, para o mesmo crime. Em minha experiência no sistema penal, pude constatar que mulheres sempre serão punidas com mais rigor que homens. Além das penas serem maiores, ficam mais tempo na prisão, quando comparadas ao que acontece com seus parceiros de delito, que sempre saem em liberdade antes. O confinamento deveria ocorrer apenas para certos tipos de crime, como aqueles em que exista violência física – considero que todo crime vem acompanhado de violência psicológica – assim como o crime contra o patrimônio público. Vejam-se quantas pessoas morrem por falta de assistência à saúde, ao saneamento básico, à moradia decente e isto se deve à roubalheira que se faz do dinheiro público. Portanto, quem desvia ou se apodera do erário público, provoca sofrimento e mortes, deste modo, deve ser considerado um criminoso violento. Muito me incomoda quando, mesmo com boas intenções, alguém se refere à condição financeira desfavorável como sendo o fator principal de alguém cometer crimes. Não se pode vincular pobreza à criminalidade, é muita injustiça com aqueles – até mesmo com os que vivem em condições miseráveis – que são pobres e honestos. Atitude criminosa está relacionada à educação familiar, muito mais do que a outros fatores. Caso apenas os violentos ficassem presos, teríamos uma população carcerária muito menor e com grande possibilidade de intervenções eficientes de reintegração social. É evidente, desde que os governos estaduais, principais responsáveis pelas unidades prisionais, realmente permitissem que políticas públicas de prevenção à reincidência acontecessem. http://correio.rac.com.br/_conteudo/2014/07/colunistas/maria_de_fatima/193149-encarceramento-reflete-a-desigualdade.html

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Curso: Psicopatologia Forense.

Ofereço o Curso Psicopatologia Forense nos dias 16 e 17 de agosto de 2014, em Campinas - SP. Informações: mfafs@uol.com.br

terça-feira, 1 de julho de 2014

Jogador ou agressor?

Texto em minha coluna semanal (01/07/2014) no Jornal Correio Popular - Campinas. Na última semana o jogador uruguaio Luis Suárez agrediu um adversário, durante jogo da Copa do Mundo, da seleção italiana. A vítima da vez foi Chiellini, visto que este tipo de ataque covarde, feito por Suárez, já aconteceu em outras duas ocasiões. A primeira vez ele agrediu Otman Bakkal, atuava na Holanda e foi punido com a suspensão em sete jogos. Na segunda vez, quem levou sua mordida foi Ivanovic e foi suspenso por dez jogos pela Liga Inglesa. O juiz da partida, na Copa, ignorou a atitude agressiva de Suárez e nem ao menos um cartão amarelo ele recebeu. É de se estranhar que um juiz escolhido para apitar um jogo da Copa do Mundo, permita que uma violência desta natureza não seja punida. Tal atitude de um desportista é intolerável, aliás, de qualquer pessoa. Um jogador de futebol, certamente, pode influenciar seus fãs e ele jamais deveria agir com brutalidade, já que sua atitude servirá de um péssimo exemplo. Crianças que assistiram a cena podem acreditar que morder um adversário é correto. Deste modo, a punição que ele recebeu – sendo expulso das partidas da Copa e durante quatro meses não poderá participar de nenhum jogo oficial de futebol – foi merecida. Competições esportivas, salvo aquelas violentas, não podem tolerar agressões. Quando existem ataques em uma competição, ela perde seu brilho e razão de ser. http://correio.rac.com.br/_conteudo/2014/06/colunistas/maria_de_fatima/186445-jogador-ou-agressor.html

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Curso: Investigação criminal sob o enfoque da Psicologia Forense

Curso que ocorrerá nos dias 07 e 08 de junho de 2014. Informações: mfafs@uol.com.br

Agressividade exacerbada

Texto em minha coluna semanal no dia 21/05/2014 Nos últimos tempos o nosso país tem sido palco de muita agressividade. Esta atitude humana que desumaniza seu praticante tem ocorrido em diferentes contextos. A começar pela família, em que a violência doméstica tem atingido níveis assustadores. Consequências nefastas a curto e médio prazo serão observadas, sem dificuldades, nos lares em que a desestruturação se faz presente. Na escola também temos visto que alunos se agridem gratuitamente, bem como professores e funcionários sofrem das mais variadas formas de desrespeito e abuso. O ambiente de trabalho, que sempre deveria ser saudável e proporcionar desenvolvimento aos funcionários, comumente se vê exageros nas cobranças, humilhações e uma gama de atrocidades. Nestes casos, o assédio moral se faz presente. Estádios de futebol têm sido palco de selvageria e criminosos disfarçados de torcedores extravasam sua raiva, ferindo e matando quem os frequentam. A violência urbana mostra-se incontrolável, ceifando vidas prematuramente, como se estas nada valessem. Manifestações acabam por se transformar em campos de guerra e revelam a ira de muitos bandidos, covardemente, escondidos em máscaras. Muitos destes sujeitos violentos são jovens, que morrem e matam, por nenhuma causa. Eles agem apenas pelo prazer de destruir, dizimar vidas e o patrimônio alheio. Pode-se afirmar que hoje vivemos em uma sociedade, presente em muitos países, psicopática. O respeito e fraternidade simplesmente desapareceram do cotidiano destes indivíduos. Viver, cada vez mais, é conseguir livrar-se dos perigos provocados pela violência banalizada. http://correio.rac.com.br/_conteudo/2014/05/colunistas/maria_de_fatima/176657-agressividade-exacerbada.html