terça-feira, 3 de março de 2015

Suzane Richtofen e a especulação

Texto em minha coluna semanal no dia 03 de março de 2015. Na semana passada um programa de televisão entrevistou Suzane Von Richtofen, assassina dos próprios pais em 2002, juntamente com o namorado e irmão deste. Tal matéria rendeu pontos na audiência da emissora e vários veículos de comunicação comentaram o fato. Existe uma grande curiosidade, em muitas pessoas, sobre crimes desta natureza e quando há oportunidade de conhecer algo mais a seu respeito, o interesse aparece – mesmo que boa parte do que é dito não corresponda à verdade. Por isto, o grande interesse na entrevista. A homicida, no caso parricida e matricida, se mostra como uma moça humilde, boa e cordial. Alguém que apresente estas particularidades não conseguiria matar ninguém, muito menos seus pais. Aquele ditado ‘lobo em pele de cordeiro’ cai bem para representá-la. Suzane, dada as características do crime, bem como de suas atitudes posteriores, revela uma personalidade psicopática. O psicopata é alguém que apresenta frieza afetiva, sadismo, egocentrismo, impulsividade exacerbada, mitomania (mania de mentir), desejo constante em manipular as pessoas, insensibilidade pelo sofrimento alheio, inconstância, falta de limites, premeditação em suas ações e outras peculiaridades negativas para o convívio pessoal e social. Não existe a menor possibilidade do crime não ter sido anteriormente planejado. E posso afirmar que os três muito falaram a respeito dele antes de o terem cometido. Digo isto porque criminosos psicopatas sempre planejam seus crimes. Talvez algumas pessoas tenham acreditado, ingenuamente, no discurso falso proferido na entrevista. E essa foi, certamente, uma das intenções ao querer participar do programa. Afinal, um dia ela irá sair da prisão, e neste dia, ela já começa a correr o risco de ser agredida por populares, quando reconhecida. Deste modo, esta tentativa de mostrar-se como boa moça, que de fato, não é, torna-se mais uma estratégia para melhorar sua imagem futuramente. Na prisão, Suzane e outros criminosos de sua estirpe, deveriam passar por um processo psicoterapêutico, durante muitos anos. Só desta forma eles realmente podem melhorar um pouco, enquanto seres humanos que são. http://correio.rac.com.br/_conteudo/2015/03/colunistas/maria_de_fatima/244083-suzane-e-a-especulacao.html

domingo, 1 de março de 2015

Curso "Perícias Judiciais em Psicologia Forense" - 25 e 26 de abril de 2015.

Ofereço o Curso "Perícias Judiciais em Psicologia Forense" nos dias 25 e 26 de abril de 2015, em Campinas-SP. Interessados enviar e-mail para: mfafs@uol.com.br. Este curso faz parte da capacitação em Perícia e Assistência Técnica, visto que são formas de atuação interdependentes. Para ser Assistente Técnico, deve-se conhecer o trabalho pericial e o mesmo quanto ao Perito que deve saber como será a sua relação com o Assistente Técnico.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Desarmar os bandidos

Muito se fala que é preciso desarmar os bandidos, e isso, ninguém contesta. Algumas medidas que podem diminuir o número de armas nas mãos dos criminosos são: que as pessoas não-criminosas deixem de ter armas, que a corrupção existente na polícia e no Poder Judiciário comercializando armas acabe, que exista fiscalização constante nas ruas e veículos em busca de armas, que nossas fronteiras não permitam o tráfico de armas, que as cargas das aeronaves sejam inspecionadas para a apreensão de armas, que as crianças e adolescentes tenham uma educação voltada para o desarmamento, que não se exiba programas infantis em que armas são usadas e que a sociedade se volte para o repúdio às armas. Creio que estas seriam algumas medidas eficazes para desarmar os bandidos! Alguém pode perguntar qual é a relação existente entre a arma nas mãos dos bandidos e o fato de pessoas não-criminosas terem armas? É simples, a grande maioria das armas apreendidas com os criminosos já foi legalizada, portanto, foram registradas por pessoas que não eram delinquentes. Disto, também não se pode duvidar, não é? Afinal, o criminoso não teria todo o trabalho de conseguir uma arma legalmente, e ainda, registra-la com o seu próprio nome, é óbvio. Ah, essa informação vem da Secretaria de Segurança Pública e Ministério da Justiça, que revelam ser de 73% o número de armas usadas pelos criminosos que já foram registradas, e, portanto, roubadas ou furtadas por eles. Já a polícia que existe para proteger a sociedade, tem maus elementos que despudoradamente comercializam armas apreendidas, fazendo-as voltarem ou chegarem nas mãos dos bandidos. Tal conduta traidora desses policiais, que certamente são poucos, também permite que os bandidos continuem armados. O Poder Judiciário, na figura de funcionários que furtam armas que lá estavam como prova de crimes, e vendem para os bandidos, também alimentam estes com armas. Tanto a polícia quanto estes funcionários do judiciário que assim agem, são pessoas comparáveis àqueles para quem vendem as armas. Deviam ser descobertos, sempre, para serem punidos com o rigor da lei. Quanto à fiscalização em ruas e em veículos de qualquer espécie, caso fosse rotina da polícia, certamente faria com que muitos não se arriscassem a sair portando uma arma. E essa fiscalização deveria ser mais intensa nas fronteiras e nas cidades que apresentam altos índices de violência. A educação, esta é uma das maiores aliadas de qualquer iniciativa para que as armas saiam das mãos dos bandidos. Se tanto a educação familiar quanto a educação formal sempre ensinassem o quanto as armas são perigosas, pois elas ferem, elas matam, elas inibem as vítimas em roubos, em estupros, em sequestros e em tantas outras modalidades de crimes, que só existem exatamente porque elas estão disponíveis, viveríamos em uma sociedade mais pacífica. A mídia, quando exibe programas infantis ou mesmo juvenis, em que armas são largamente utilizadas, também está contribuindo para que este público se dessensibilize quanto ao uso de armas, isto é, elas fazem parte de seu cotidiano. Cotidiano este que pode ser marcado pela violência! http://correio.rac.com.br/_conteudo/2015/02/colunistas/maria_de_fatima/242522-desarmar-os-bandidos.html

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Crianças poderosas

Crianças poderosas A educação familiar atualmente sofre uma grave crise – a falta de limites. À criança é outorgado um poder que ela jamais deveria ter, exatamente porque é apenas uma criança. Os pais se curvam aos desejos destes pequenos poderosos, como se eles tivessem condições psicológicas para escolher tudo que almejam. Até mesmo a birra, tão comum há alguns anos, hoje é algo difícil de ver. Ela simplesmente não precisa acontecer, pois as vontades dos infantes são prontamente atendidas. Parece que os adultos temem as crianças, quando estas são seus filhos. Existe uma inversão de valores, perigosa e prejudicial às novas gerações. Amar os filhos não significa dar-lhes total liberdade, mas, ao contrário, mostrar que regras e limites existem e são saudáveis para um bom relacionamento entre as pessoas. Não é novidade para ninguém que a falta de limites na infância é uma das principais causas da delinquência. Paternidade é muito mais do que amizade. Amigos, muitos poderão existir na vida de alguém, mas pais são únicos. Jamais se deve agir de modo opressivo e violento com os filhos, mas também jamais se deve deixá-los completamente livres. Quando isto acontece, ocorre a negligência, que mesmo sem intenção, caracteriza uma das formas de violência doméstica. Principalmente as crianças precisam aprender a respeitar limites, deste modo, elas serão adolescentes e jovens com menos problemas de relacionamento interpessoal, além, é claro, de terem melhores condições psicológicas. http://correio.rac.com.br/_conteudo/2015/02/colunistas/maria_de_fatima/238487-criancas-poderosas.html

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Atentados terroristas

Texto em minha coluna semanal - 14/01/2015 Os atentados terroristas ocorridos em Paris, que deixaram dezessete vítimas na semana passada, chocaram o mundo. Esse tipo de ação criminosa, sempre causa revolta e indignação nas pessoas que não fazem parte desses grupos fundamentalistas. A França é um país que prima pela liberdade e fraternidade e os atos terroristas abalam essa convicção dos franceses. O medo e insegurança provocados pelas ações mortíferas, destes radicais islâmicos, podem levar a atitudes de discriminação, como jamais vistos nesta nação. Em especial aos muçulmanos, que certamente, em sua grande maioria, abominam esse tipo de atitude que são tomadas em nome de seu Deus. Situações de ataques, como essa, acabam por incitar sentimentos de aversão a todos aqueles que possuem alguma coisa em comum com os autores destas investidas assassinas. Doravante, acredito, haverá um forte sentimento de rejeição no País aos estrangeiros, principalmente aos compatriotas dos agressores. A bela Paris, por muitos meses, será palco de desconfiança em relação a novos atentados. Sabemos que qualquer local poderá ser escolhido, principalmente, se nele estão aglomeradas pessoas consideradas ‘inimigas’ dos extremistas. A paz no mundo sempre é abalada, quando ações terroristas acontecem, especialmente em países que se esmeram pelo respeito aos direitos humanos. http://correio.rac.com.br/_conteudo/2015/01/colunistas/maria_de_fatima/234742-atentados-terroristas.html

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Serial Killer do Rio de Janeiro

Texto em minha coluna de 16/12/2014 Foi preso recentemente mais um assassino serial, este é da Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro. O rapaz de vinte e seis anos, Saílson José das Graças, confessou ter matado quarenta e três pessoas nos últimos nove anos. A grande maioria das vítimas era de mulheres. Uma criança e quatro homens também foram mortos. Alguns crimes aconteceram encomendados pela companheira do homicida, assim como do marido desta. Os três moravam juntos. Ao menos uma vítima foi estuprada, na frente do filhinho de dois anos, e, apesar de levar várias facadas, sobreviveu. Acredito que este assassino em série estuprou várias vítimas, antes de matá-las. Levar os pertences destas pessoas certamente foi o ganho secundário deste homicida. Para ele, estuprar, matar e roubar é algo natural. A frieza, o sadismo e forma de agir deste sujeito revelam uma personalidade psicopática. Vejo que ele apresenta certa deficiência intelectual, mas nada que comprometa o seu juízo crítico. É mito acreditar que o psicopata é uma pessoa de inteligência superior. A inteligência não está associada à estrutura de personalidade. Saílson sempre agiu de modo planejado, buscou as vítimas mais fáceis de serem pegas por ele e executou seu objetivo macabro, sem ter sido incomodado. A polícia precisa ser capacitada para investigar crimes desta natureza. Estes criminosos são reincidentes, matam sem nenhum constrangimento e sempre acreditam no despreparo policial, que não consegue detê-los logo no primeiro homicídio. Apesar da inteligência limitada, ele conseguiu se safar da polícia durante nove anos e acreditou na impunidade. http://correio.rac.com.br/_conteudo/2014/12/colunistas/maria_de_fatima/229955-serial-killer-do-rio-de-janeiro.html