terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Serial Killer do Rio de Janeiro

Texto em minha coluna de 16/12/2014 Foi preso recentemente mais um assassino serial, este é da Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro. O rapaz de vinte e seis anos, Saílson José das Graças, confessou ter matado quarenta e três pessoas nos últimos nove anos. A grande maioria das vítimas era de mulheres. Uma criança e quatro homens também foram mortos. Alguns crimes aconteceram encomendados pela companheira do homicida, assim como do marido desta. Os três moravam juntos. Ao menos uma vítima foi estuprada, na frente do filhinho de dois anos, e, apesar de levar várias facadas, sobreviveu. Acredito que este assassino em série estuprou várias vítimas, antes de matá-las. Levar os pertences destas pessoas certamente foi o ganho secundário deste homicida. Para ele, estuprar, matar e roubar é algo natural. A frieza, o sadismo e forma de agir deste sujeito revelam uma personalidade psicopática. Vejo que ele apresenta certa deficiência intelectual, mas nada que comprometa o seu juízo crítico. É mito acreditar que o psicopata é uma pessoa de inteligência superior. A inteligência não está associada à estrutura de personalidade. Saílson sempre agiu de modo planejado, buscou as vítimas mais fáceis de serem pegas por ele e executou seu objetivo macabro, sem ter sido incomodado. A polícia precisa ser capacitada para investigar crimes desta natureza. Estes criminosos são reincidentes, matam sem nenhum constrangimento e sempre acreditam no despreparo policial, que não consegue detê-los logo no primeiro homicídio. Apesar da inteligência limitada, ele conseguiu se safar da polícia durante nove anos e acreditou na impunidade. http://correio.rac.com.br/_conteudo/2014/12/colunistas/maria_de_fatima/229955-serial-killer-do-rio-de-janeiro.html

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Serial killer de Mogi

Texto em minha coluna semanal no dia 09/12/2014. Nos últimos dias a polícia prendeu o jovem Jonathan Lopes de Santana, de vinte e três anos, por matar pelo menos seis pessoas em Mogi das Cruzes. Destas vítimas, quatro foram decapitadas. A intenção do assassino serial, ao que tudo indica, era matar trinta e um moradores de rua. Segundo ele, este grupo foi escolhido por ‘não se integrarem à sociedade, já que não pagavam impostos’. Uma das vítimas foi considerada por ele como moradora de rua, quando na verdade não era, mas sim uma senhora que seguia para o trabalho. Para o delegado, o homicida revelou ter sido influenciado, em relação à decapitação, por terroristas sírios e iraquianos, através de vídeos assistidos na internet. Ainda segundo a polícia, haviam dois sinais feitos em seu próprio corpo. Um deles era o desenho de um machado, no braço, e, outro na perna, o número 36. Parece-me que ao informar que mataria trinta e um moradores de rua, na verdade já havia matado outros cinco – além destes cinco já considerados como suas vítimas – e a senhora que fora confundida, não entrou neste rol macabro. Tal hipótese eu levanto porque ele havia escrito o número 36 e com isso, ele já matou pelo menos onze pessoas. Este matador planejou seus crimes, procurou não ser identificado – ao usar blusa com capuz para esconder o rosto – e empreendeu fuga. Este tipo de atitude não condiz, em geral, com doentes mentais, mas sim com psicopatas. O doente mental comete o crime na frente dos outros ou não foge, pois acredita que sua atitude é correta e não criminosa. Jonathan, ao contrário, tentou safar-se e sabe que o que fez é repreensível. Alguém que age deste modo frio e sádico, geralmente, sofreu violência doméstica na infância. Até mesmo a falta de limites, quando se permite que uma criança faça tudo o que deseja, pode leva-la a desenvolver este tipo de psicopatia. O psicopata tem plena consciência de suas ações, portanto, sabe o que faz. Com isso, pode reprimir-se e não cometer atrocidades. Deste modo, ele deve ser punido como um criminoso comum. O fato de este assassino matar tantas pessoas em um curto espaço de tempo, além de ser em local público, mostra a precariedade do aparato policial nas cidades paulistas. Se desde a primeira vítima decapitada, já houvesse um eficiente trabalho investigativo, todas as outras seriam poupadas. http://correio.rac.com.br/_conteudo/2014/12/colunistas/maria_de_fatima/228549-serial-killer-de-mogi.html

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Estupros na USP

Estupros na USP 25/11/2014 - Texto em minha coluna semanal no jornal Correio Popular de Campinas Nas últimas semanas a imprensa tem noticiado vários casos de estupro, entre estudantes de medicina, na USP. A violência acontece, em geral, nas festas promovidas dentro da própria universidade. Estes estupradores não se diferem de outros agressores sexuais, quando planejam o crime. Eles preparam o local e a forma em que irão atacar. Deste modo, estes alunos de medicina, são semelhantes aos outros estupradores que também planejam o ataque. Porém, alguns aspectos os diferem, como o fato de o abuso acontecer dentro de um campus de uma universidade pública, e ainda, destes delinquentes não serem prontamente denunciados à polícia. É difícil entender porque crimes como estes ainda são amenizados. Estupro é um crime que denigre sua vítima e jamais o seu autor poderia ser poupado, como tem acontecido nestes casos. Crime é caso de polícia e não apenas de sindicâncias internas ou audiências públicas parlamentares. Estes criminosos serão futuros profissionais da área de saúde, mas já demonstram que não possuem condições pessoais para exercerem esta profissão. O desprezo, que eles evidenciam pelo ser humano, é incompatível com a ética e respeito que o médico sempre deveria ter para com as pessoas. A sociedade não pode se calar, como faz a direção da USP, e permitir que crimes como estes aconteçam sem nenhuma punição. http://correio.rac.com.br/_conteudo/2014/11/colunistas/maria_de_fatima/225975-estupros-na-usp.html

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Corrupção é injustiça social

O Brasil tem assistido a várias denúncias de corrupção, em todas as esferas públicas e políticas, mas, é ingenuidade imaginar que este câncer social não existia – ele apenas não era divulgado. O nosso país foi construído à base de desvios de verbas públicas, enriquecendo muitos que hoje são considerados os maiores milionários brasileiros ou seus descendentes. Estes sórdidos ladrões, muitos deles políticos, furtaram tranquilamente o erário público, sem nenhum constrangimento ou punição. A eles deram previamente um ‘salvo conduto’ que possibilitou o atestado de ‘cidadãos acima de qualquer suspeita’, afinal, não existe o corrupto sem a presença do corrompido. Para que se possa desviar o dinheiro público, o sujeito – político ou servidor – certamente participa ativamente da roubalheira. É quase impossível uma pessoa que trabalhe honestamente enriquecer em pouco tempo. Ela certamente estará envolvida em alguma falcatrua ou sonegação de grandes quantidades em impostos. O corrupto, sem apontar a arma para ninguém, mas apenas com uma caneta ou maços de dinheiro, mata mais do que os outros criminosos. O dinheiro público, objeto de corrupção, deixou de construir hospitais e unidades básicas de saúde. Desta forma, pessoas sofrem e morrem todo dia, sem o atendimento que necessitam. O corrupto, portanto, é um assassino serial, insensível ao padecimento e morte alheios. Nosso país está em pleno desenvolvimento econômico, mas ainda é um fracasso no desenvolvimento humano. Diminuir drasticamente a corrupção, visto que acabar com ela é praticamente impossível, deve ser o desejo de toda pessoa honesta. Para que isto aconteça, a sociedade precisa se unir e exigir, manifestando-se, que nenhum corrupto flagrado fique impune, mas que vá viver atrás das grades, por décadas, sem nenhum benefício outorgado judicialmente. A impunidade sempre será a facilitadora da corrupção.

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Superar a amargura

Texto em minha coluna semanal - 28/10/2014. No segundo turno eleitoral foi possível observar muitas pessoas com raiva e agressividade ao defenderem seus candidatos. A eleição chegou ao fim e a presidente Dilma foi reeleita e, mesmo assim, muitos ainda permaneceram ofendendo e desqualificando amigos, conhecidos e parentes simplesmente porque escolheram candidato diferente. É lamentável que pessoas, outrora queridas, demonstrem tanto asco por conta de uma eleição e desfiram ataques injustos àqueles que já lhe foram estimados. Políticos podem simplesmente ignorar a ira recebida e superar obstáculos próprios do pleito. Já para os amigos e parentes, o excesso cometido pode deixar máculas desnecessárias. A internet propiciou, sem dúvida, que rejeições às pessoas se tornassem mais facilmente possível. Poucos conseguiram de fato discutir ideias, tanto os políticos envolvidos, quanto os seus eleitores. A democracia avança quando ofensas são deixadas de lado e não quando mentiras são dizimadas sem nenhum pudor. Eleições nós temos a cada dois anos em nosso país e amigos, temos poucos, no decorrer de nossa vida. Vale muito mais preservar um amigo e uma pessoa querida do que defender um estranho que, como político, poderá futuramente decepcionar-nos em demasia. Superar a amargura, provocada por insultos, será um desafio que deve sobrepor-se ao resultado da eleição presidencial. http://correio.rac.com.br/_conteudo/2014/10/colunistas/maria_de_fatima/218370-superar-a-amargura.html

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Crime sexual e desejo de poder

Texto em minha coluna semanal - Correio Popular - 16/09/2014. O estupro é um dos mais aviltantes crimes de que uma pessoa pode ser vítima. As mulheres são as principais presas deste tipo de agressor, mas isto não descarta a possibilidade do sexo masculino, tanto de adultos quanto de crianças, também serem atacados. Dentre as mulheres, a adolescente é a preferida, evidentemente quando existe a possibilidade de escolha por parte do criminoso. Normalmente, a presa mais fácil será atacada, independentemente se é ou não uma mulher jovem. O violentador já sai em busca de uma vítima, portanto, se trata de um crime planejado e não de um desejo sexual não controlável. Aliás, estes chamados crimes relacionados aos desejos sexuais, tanto no que tange à pedofilia quanto ao ataque às mulheres, independentemente de sua faixa etária, é a vontade de o agressor exibir o seu poder e não um forte desejo sexual conforme equivocadamente se acredita. Se fosse apenas a vontade sexual incontrolável, veríamos pedófilos e estuprados atacar suas vítimas na frente de todos. Trata-se, sim, de uma demonstração de força. O delinquente quer mostrar que ele tem condições de obrigar a vítima a fazer tudo o que ele quer. A vítima é pega em local público, na maioria dos casos, e é atacada em localidade que ofereça segurança para o sujeito não ser abordado no momento do ato sexual e com isso, praticar tranquilamente o crime. Corrobora a ideia de crime sexual a serviço do poder, o fato de que muitos agressores obrigam a vítima a excitá-los, fazendo-lhes sexo oral. Se fosse uma volição sexual, eles já estariam excitados ao abordarem a vítima e não precisariam ser estimulados mecanicamente por ela. O maior número destes ataques acontece em noites frias, visto que diminuem o número de pessoas circulando nas ruas e com isso, aumentam as chances de o agressor não ser pego. Por não ser o corpo da vítima o objeto do desejo, como já referi, mulheres com mais de noventa anos são agredidas sexualmente, e, sabemos que crianças com menos de um ano também são atacadas. O estuprador não é um doente mental, na grande maioria das vezes, mas um psicopata que entende perfeitamente o que está fazendo e se quisesse poderia se controlar. Ele tem um distúrbio, mas não uma doença que o tornaria irresponsável penalmente por seus atos, portanto, pode ser considerado culpado por suas ações. A vítima não tem, jamais, nenhuma responsabilidade por sofrer o ataque e com isso, sentimentos de culpa não deveriam ser por elas experimentados. Da mesma forma que não conseguimos evitar um roubo, também não se pode evitar o ataque sexual. Apenas alguns cuidados podem ser tomados em ambos os casos, como andar em grupo durante a noite, não ficar sozinha em ponto de ônibus após escurecer ou em lugares desertos. A falta de policiais em locais em que estes crimes acontecem com mais frequência, também é um fator importante a ser considerado e preveniria suas ocorrências. http://correio.rac.com.br/_conteudo/2014/09/colunistas/maria_de_fatima/206520-crime-sexual-e-desejo-de-poder.html

segunda-feira, 15 de setembro de 2014