terça-feira, 12 de maio de 2015

Assistência Técnica - atividade em ascensão.

CORREIO POPULAR Assistência técnica 11/05/2015 - 17h51 - Atualizado em 11/11/2015 - 17h58 | Maria de Fátima igpaulista@rac.com.br A assistência técnica é um trabalho desenvolvido por profissionais graduados de qualquer área do conhecimento. Ela poderá existir sempre que houver uma perícia judicial. A perícia é uma avaliação que poderá subsidiar a decisão judicial e assim como a assistência técnica, ela deve ser feita por um graduado, especialista em uma área do conhecimento. Deste modo, a assistência técnica é vinculada à ocorrência da avaliação pericial. No caso de não ocorrer este tipo de estudo, também não acontecerá a assistência. O perito é nomeado pelo juiz e, de certa forma, será a pessoa de confiança deste na avaliação de um determinado fato. Já o trabalho de assistência técnica é opcional e caberá às partes do processo designar ou não este profissional. O assistente técnico terá como incumbência acompanhar o processo pericial, a começar por elaborar perguntas ao perito (quesitos), dialogar com este a respeito do caso e manifestar-se a respeito do relatório pericial. Nós da área de psicologia estamos impedidos, por Resolução do nosso Conselho Federal, de assistir as perícias, mas em outras áreas, isto é feito com frequência. O assistente técnico não tem vínculo empregatício com seu cliente, mas sim, atua como profissional liberal. Cabe ao advogado, sempre, orientar o seu cliente a respeito da importância de se contratar o assistente técnico. Isto pode acontecer mesmo antes da decisão judicial a respeito da avaliação, visto que nem sempre é fácil se conseguir este profissional capacitado. Pode-se dizer que, se houver alguma chance de uma perícia futuramente existir, o advogado já deve orientar o seu cliente a respeito da necessidade de se contratar o assistente técnico. Na minha experiência como psicóloga forense, tenho observado que, em muitos casos, isto não é praxe, e, certamente, faria uma grande diferença no andamento da Ação Judicial. http://correio.rac.com.br/_conteudo/2015/05/colunistas/maria_de_fatima/257847-assistencia-tecnica.html

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Curso: Assistência Técnica em Psicologia Forense - 2015

Ministrarei o curso de capacitação de Assistência Técnica em Psicologia Forense, nos dias 20 e 21 de Junho de 2015. Informações: mfafs@uol.com.br

terça-feira, 31 de março de 2015

Copiloto assassino

Texto em minha coluna semanal - 31/03/2015 Andreas Lubitz, o copiloto que provocou a queda do avião da Germanwings na semana passada, me parece, ser um psicopata. Tal afirmativa se baseia no fato de ele não demonstrar nenhuma emoção nos ‘eternos’ minutos que antecederam o choque da aeronave com o solo. Uma das caixas pretas registrou a respiração do rapaz sem nenhuma alteração. Caso ele estivesse nervoso, por conta de uma crise psicótica, esta seria facilmente percebida, até mesmo pelo piloto que o deixou sozinho na cabine. Uma pessoa em crise desta natureza apresenta-se desorganizada e em estado de visível alteração. Já um individuo que planeja a própria morte, com a intenção de levar consigo dezenas de pessoas, mostra-se impávido e com a certeza de que está fazendo o que é certo. Com isto, se mantém tranquilo em sua previa decisão assassina. Psicopatas podem ser suicidas, aliás, todo homicida também é suicida, evidentemente, em menor grau. Deste modo, ao que tudo indica, Andreas decidiu colocar fim em sua própria vida, mas resolveu projetar-se com isto e ser peça central nesta carnificina que provocou. Psicopatas são narcisistas e egocêntricos, portanto, ficar mundialmente conhecido inflou seu ego mesquinho. O desespero do piloto com o intuito de arrebentar a porta da cabine, bem como os gritos desesperados dos passageiros e tripulação, em nada comoveu a frieza deste homicida. É até provável que ele tenha sentido prazer em provocar tamanho terror naquelas pessoas. Avaliar psicologicamente pilotos e copilotos de aeronaves é imprescindível, mas mesmo assim, não se tem completa garantia de que psicopatas cruéis deixem de fazer parte do quadro de funcionários da aviação que podem decidir entre viver ou morrer. É paradoxal que a porta da cabine da aeronave tenha seu controle de fechamento interno, exatamente para se proteger de atentados terroristas e o perigo veio em sentido oposto, daquele que nutria a mais completa confiança de todos que embarcaram naquele voo. Para se conhecer de modo detalhado e aprofundado as características pessoais de Andreas, é possível se aplicar o método retrospectivo de avaliação de personalidade denominado Autópsia Psicológica. Este estudo possibilita conhecer minuciosamente, ao matar uma centena e meia de pessoas, quem era e o que pretendia este copiloto assassino. http://correio.rac.com.br/_conteudo/2015/03/colunistas/maria_de_fatima/249750-copiloto-assassino.html

quarta-feira, 18 de março de 2015

Violência psicológica

Texto em minha coluna semanal - 18/03/2015 A violência psicológica é mais difícil de ser constatada do que a física, e isso se deve, principalmente, porque ela não deixa marcas possíveis de serem observadas. As marcas desse tipo de violência atingem outra esfera, que podemos denominar de psicológica, psíquica ou emocional. Quando se sofre esse tipo de agressão na infância, as sequelas serão piores, e muitas podem se fixar através de traumas. Vejamos como isso pode ocorrer em uma situação que até pode não ser considerada grave, por muitas pessoas, mas, por exemplo, aterrorizar uma criança, ao dizer que no escuro pode acontecer algo terrível, como o aparecimento de monstros ou fantasmas. Essa criança provavelmente não vai querer ficar sozinha no escuro, e solicitará a companhia de alguém ou se recusará de todas as maneiras em não ficar à mercê de tais perigos anunciados a ela. Podemos constatar os estragos causados por uma brincadeira ou mesmo maldade como essa, de se amedrontar uma criança, quando vemos um jovem ou adulto que não consegue dormir com a luz apagada ou mesmo que não enfrenta um ambiente escuro sozinho. Apenas uma ajuda terapêutica eficaz irá remover ou amenizar esse medo. Também podemos observar como efeito do trauma aqui exemplificado, o jeito inseguro desse indivíduo, que não consegue enfrentar as dificuldades que a vida oferece, e sempre fica na dependência de alguém que julgue ser mais forte e destemido. Tal pessoa seria por ele considerada como protetora e o livraria do medo das situações perigosas da vida. Alguém com características como essa, de dependência emocional, está sujeito a ser escravo de suas dificuldades e, em muitos casos, de alguém que perceba essa sua fragilidade e tire proveito dela. Mesmo algo que pode ser considerado como banal, pode prejudicar a vida de alguém, fragilizando-a. Por isso, é importante que certas atitudes, principalmente dos pais ou daqueles que criam uma criança, sejam avaliadas em toda a sua amplitude, para que a violência psicológica seja percebida como tal, e, portanto, seja evitada. http://correio.rac.com.br/_conteudo/2015/03/colunistas/maria_de_fatima/247112-violencia-psicologica.html

terça-feira, 10 de março de 2015

Feminicídio

Texto em minha coluna semanal no jornal Correio Popular de Campinas - 10/03/2015 O feminicídio é considerado, pela ONU, como o homicídio de uma mulher provocado por alguém que se relaciona com ela ou que a tenha agredido sexualmente. A tortura, mutilação ou a desfiguração também estão incluídas neste tipo de crime. Na semana passada, a Câmara dos Deputados aprovou o projeto de lei contra o feminicídio e a presidente o sancionou nesta segunda feira, dia 9 de março. A lei modifica o nosso Código Penal, ao introduzir este novo crime, assim como também modifica a conhecida Lei Maria da Penha. Esta foi criada com o intuito de combater a violência doméstica contra a mulher, bem como a violência de gênero, em vigor desde 2006. A nova modalidade de homicídio é classificada como “crime hediondo” o que, pelo menos teoricamente, impede que o acusado seja libertado após o pagamento da fiança. Também estipula que o assassinato de mulheres, por motivos de gênero, seja considerado um agravante do homicídio, com isso, aumenta as penas que poderão variar entre 12 e 30 anos. O homicídio contra a mulher é muito mais comum do que se imagina. Em geral ele pode ocorrer desde o momento em que a mulher verbaliza a intenção de romper o relacionamento com o seu companheiro, até dois anos após este rompimento. Anualmente cinco mil mulheres são mortas no Brasil. Este crime não atinge apenas a vítima, mas também toda a família que se desestrutura com a perda de um ente querido. Veja-se a situação em que ficam os filhos, muitas vezes entregues a pessoas que não gostariam de criá-los, quando não, são institucionalizados. Os filhos de mulheres mortas por seus maridos tornam-se órfãos, não apenas de mãe. A orfandade também será, geralmente, em relação ao pai assassino. Ele pode ser preso, mas o seu maior castigo, salvo exceções, é que ele também morrerá, simbolicamente, para os seus filhos. Quem mata sua companheira, com toda certeza, rouba a felicidade de sua família. http://correio.rac.com.br/_conteudo/2015/03/colunistas/maria_de_fatima/245327-feminicidio.html

terça-feira, 3 de março de 2015

Suzane Richtofen e a especulação

Texto em minha coluna semanal no dia 03 de março de 2015. Na semana passada um programa de televisão entrevistou Suzane Von Richtofen, assassina dos próprios pais em 2002, juntamente com o namorado e irmão deste. Tal matéria rendeu pontos na audiência da emissora e vários veículos de comunicação comentaram o fato. Existe uma grande curiosidade, em muitas pessoas, sobre crimes desta natureza e quando há oportunidade de conhecer algo mais a seu respeito, o interesse aparece – mesmo que boa parte do que é dito não corresponda à verdade. Por isto, o grande interesse na entrevista. A homicida, no caso parricida e matricida, se mostra como uma moça humilde, boa e cordial. Alguém que apresente estas particularidades não conseguiria matar ninguém, muito menos seus pais. Aquele ditado ‘lobo em pele de cordeiro’ cai bem para representá-la. Suzane, dada as características do crime, bem como de suas atitudes posteriores, revela uma personalidade psicopática. O psicopata é alguém que apresenta frieza afetiva, sadismo, egocentrismo, impulsividade exacerbada, mitomania (mania de mentir), desejo constante em manipular as pessoas, insensibilidade pelo sofrimento alheio, inconstância, falta de limites, premeditação em suas ações e outras peculiaridades negativas para o convívio pessoal e social. Não existe a menor possibilidade do crime não ter sido anteriormente planejado. E posso afirmar que os três muito falaram a respeito dele antes de o terem cometido. Digo isto porque criminosos psicopatas sempre planejam seus crimes. Talvez algumas pessoas tenham acreditado, ingenuamente, no discurso falso proferido na entrevista. E essa foi, certamente, uma das intenções ao querer participar do programa. Afinal, um dia ela irá sair da prisão, e neste dia, ela já começa a correr o risco de ser agredida por populares, quando reconhecida. Deste modo, esta tentativa de mostrar-se como boa moça, que de fato, não é, torna-se mais uma estratégia para melhorar sua imagem futuramente. Na prisão, Suzane e outros criminosos de sua estirpe, deveriam passar por um processo psicoterapêutico, durante muitos anos. Só desta forma eles realmente podem melhorar um pouco, enquanto seres humanos que são. http://correio.rac.com.br/_conteudo/2015/03/colunistas/maria_de_fatima/244083-suzane-e-a-especulacao.html