terça-feira, 26 de agosto de 2014

Trauma e suas consequências

Texto publicado em minha coluna semanal no Jornal Correio Popular de Campinas O trauma é como uma tatuagem que se inscreve no psiquismo de uma pessoa. Ele, portanto, jamais será eliminado. O transcorrer do tempo, assim como uma psicoterapia, conseguem enfraquecê-lo, e com isso, ele causa menos transtornos do que logo após de ele ter-se instalado. A simples lembrança do evento que provocou o trauma já abate a pessoa. Até mesmo algo que esteve associado a ele consegue gerar angústia. Como exemplo, se alguém caminhava por uma rua e sentiu o cheiro de uma flor, pouco antes de ser abordado por um ladrão, o cheiro da flor, em outras circunstâncias e momentos, conseguirá trazer de volta toda a situação traumaticamente vivida. A flor, desta forma, foi associada aos acontecimentos adversos por ele experimentados. Guerra, catástrofes, acidentes e qualquer evento sentido como extremamente maléfico, provocarão traumas. Logo após o episódio traumático, a ansiedade, o medo, a insegurança e a impotência são alguns dos sintomas apresentados. Também se observa problemas com o sono, tais como insônia e pesadelos, com a alimentação pode-se citar a falta ou excesso de apetite, bem como tantos outros sinais físicos são possíveis de serem desencadeados. O terror que um episódio traumático acarreta, pode fazer com que a pessoa sequer consiga descrevê-lo. Deste modo, ele se torna indizível, momentaneamente ou para sempre. O atendimento emergencial é crucial para estes indivíduos que passam por situações traumatizantes. Além disto, a psicoterapia, posteriormente, irá fortalecê-lo e ele conseguirá, mais rapidamente, minimizar as sequelas desta experiência nefasta. http://correio.rac.com.br/_conteudo/2014/08/colunistas/maria_de_fatima/200814-trauma-e-suas-consequencias.html

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Depressão pode matar

Texto em minha coluna semanal no Jornal Correio Popular de Campinas - 19/08/2014 A depressão, uma das doenças mentais com maior incidência nas últimas décadas, pode levar quem sofre deste problema à morte. Não se pode generalizar e acreditar que a tristeza, normal em certos momentos da vida, precisa de cuidados especiais, como a prescrição de psicotrópicos. Ficar triste em situações de perda é esperado e ajuda na transposição do luto. Aquele que não consegue se sensibilizar com a notícia de uma grave doença ou morte de uma pessoa querida, com o rompimento de um relacionamento afetivo, com a demissão de um trabalho quando esta não era esperada, com a frustração de um importante projeto que não aconteceu, certamente apresenta algum distúrbio psicológico. O sofrimento diante de perdas é saudável. Quando a pessoa não o demonstra, por não experimentar tal sentimento, precisa da ajuda de um profissional da área de saúde mental, que pode ser tanto o psiquiatra quanto o psicólogo. O luto, provocado por perdas, não deve ultrapassar mais do que três a quatro meses. Caso ele persista, também é motivo para se procurar um destes profissionais citados. É importante não confundir a depressão situacional, provocada por um fator específico, com a depressão patológica. Este tipo de depressão pode estar associado a uma doença mental, portanto, algo grave que deve ser tratado. Uma pessoa depressiva apresenta sintomas facilmente detectados por terceiros, como exemplos, ela não se importa com a própria alimentação, higiene pessoal e prefere ficar quieta, sozinha em um local que não seja incomodada. Chorar sem motivo aparente e ter problemas com o sono também fazem parte deste quadro. A melancolia sentida faz com que nada mais na vida tenha graça, ou mesmo, sentido em ser experimentado. É como se ela se ‘internasse’, isto é, não mais se comunicasse com ninguém. O depressivo não consegue mais ver nenhum sentido em continuar vivo, e, por isso, muitos podem cometer o suicídio. A família e amigos de alguém que apresente estes sintomas precisam demonstrar que o amam e que ele merece todo o cuidado possível. A falta de carinho e atenção que uma pessoa depressiva necessita, em geral, são os motivadores para ela colocar em risco a própria vida. http://correio.rac.com.br/_conteudo/2014/08/colunistas/maria_de_fatima/198623-depressao-pode-matar.html

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Violência contra a mulher e crime passional

Acesse na EPTV - Rede Globo matéria com minha participação no dia 16/08/2014: http://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/jornal-da-eptv-2edicao/videos/t/edicoes/v/interior-do-estado-registra-45-mil-casos-de-violencia-contra-mulher-no-1o-semestre-de-2014/3569205/

Curso: Autópsia Psicológica. Dias 20 e 21 Set 2014. Informações - mfafs@uol.com.br

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Corrupção é injustiça social

O Brasil tem assistido a várias denúncias de corrupção, em todas as esferas públicas e políticas, mas, é ingenuidade imaginar que este câncer social não existia – ele apenas não era divulgado. O nosso país foi construído à base de desvios de verbas públicas, enriquecendo muitos que hoje são considerados os maiores milionários brasileiros ou seus descendentes. Estes sórdidos ladrões, muitos deles políticos, furtaram tranquilamente o erário público, sem nenhum constrangimento ou punição. A eles deram previamente um ‘salvo conduto’ que possibilitou o atestado de ‘cidadãos acima de qualquer suspeita’, afinal, não existe o corrupto sem a presença do corrompido. Para que se possa desviar o dinheiro público, o sujeito – político ou servidor – certamente participa ativamente da roubalheira. É quase impossível uma pessoa que trabalhe honestamente enriquecer em pouco tempo. Ela certamente estará envolvida em alguma falcatrua ou sonegação de grandes quantidades em impostos. O corrupto, sem apontar a arma para ninguém, mas apenas com uma caneta ou maços de dinheiro, mata mais do que os outros criminosos. O dinheiro público, objeto de corrupção, deixou de construir hospitais e unidades básicas de saúde. Desta forma, pessoas sofrem e morrem todo dia, sem o atendimento que necessitam. O corrupto, portanto, é um assassino serial, insensível ao padecimento e morte alheios. Nosso país está em pleno desenvolvimento econômico, mas ainda é um fracasso no desenvolvimento humano. Diminuir drasticamente a corrupção, visto que acabar com ela é praticamente impossível, deve ser o desejo de toda pessoa honesta. Para que isto aconteça, a sociedade precisa se unir e exigir, manifestando-se, que nenhum corrupto flagrado fique impune, mas que vá viver atrás das grades, por décadas, sem nenhum benefício outorgado judicialmente. A impunidade sempre será a facilitadora da corrupção. Texto em minha coluna semanal do Jornal Correio Popular de Campinas - 12/08/2014

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Agressividade no futebol

A Copa do Mundo tem refletido a agressividade presente em muitas partidas de futebol, na maior parte dos países. Se a violência jamais fosse tolerada nesta modalidade esportiva, hoje não veríamos tanta agressão cometida no campeonato mundial. O esporte nunca deveria permitir que atos violentos acontecessem, mas ao permitirem que eles existam, a competição e o sabor da vitória ficam maculados. A última vítima da agressão foi o Neymar, no jogo ocorrido na sexta feira contra a Colombia, que impossibilitará o atleta de disputar os jogos deste importante campeonato. Veja-se que o povo brasileiro mostrou sua revolta com o episódio mas aqui também a violência já faz parte de muitas competições futebolísticas. É uma incoerência não aceitar, e não se deve mesmo aceitar, que o jogador colombiano machucasse o principal jogador brasileiro, mas, em contrapartida, se permite que isto aconteça em nossos campeonatos. Neymar era a grande esperança do futebol brasileiro nesta copa, visto que é um dos melhores do mundo, e sua saída neste momento, faz com que aumentem as dificuldades para vitórias nos jogos que virão. É uma pena que o esporte mais venerado em nosso país traga comoção nacional por conta deste episódio funesto. O juiz da partida também deveria ser responsabilizado, visto que permitiu várias ‘entradas’ agressivas entre os jogadores e nada fez. O jogador Zuñiga sequer foi advertido pelo árbitro, após machucar Neymar. Acho estranho que um ato violento como este, intencional sem nenhuma dúvida, não traga nenhuma consequência legal, uma punição por lesão corporal, para quem o pratique. A intolerância à violência, em qualquer tipo de esporte não violento, precisa ser fortemente arraigada em nossa cultura, só assim, competições disputadas por nossos atletas levarão a mensagem de que esporte e agressão não combinam. Texto publicado no jornal no dia 08 de julho de 2014. http://correio.rac.com.br/_conteudo/2014/07/colunistas/maria_de_fatima/188034-agressividade-no-futebol.html